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PREFEITO DE GOIANÉSIA JALLES FONTOURA PODERÁ SER CANDIDATO AO GOVERNO DO ESTADO

(A ENTREVISTA FEITA PELO  JORNAL A REDAÇÃO)

Lucas Cássio
Goiânia – Um dos maiores nomes da base de apoio do governo estadual, o prefeito de Goianésia, cidade a 175 km de Goiânia, Jalles Fontoura (PSDB), concedeu entrevista exclusiva ao Jornal A Redação. O prefeito falou da situação em que encontrou a prefeitura da cidade no início de seu mandato, relatou as dificuldades da atual gestão e falou das perspectivas para as próximas eleições. Jalles afirmou não ser candidato à reeleição do município nas próximas eleições, porém não descartou a possibilidade para a disputa do governo do estado em 2018.
Jalles Fontoura também fez uma avaliação do governo estadual e falou de algumas promessas de campanha, além de esclarecer assuntos polêmicos do município, como a paralização das obras da ciclovia.
Filho do ex-governador Otávio Lage, Jalles Fontoura, já ocupou cargos de deputado estadual e federal e foi secretário da Fazenda no primeiro governo de Marconi Perillo, em 1999. Ele está no segundo mandato como prefeito de Goianésia. Além do repórter Lucas Cássio, o diretor executivo do Jornal A Redação, João Unes, participou do encontro. Confira a entrevista:
  
Jornal A Redação – Qual era situação da prefeitura quando o senhor assumiu?
Jalles Fontoura – A prefeitura em 2013, quando eu entrei, estava em uma situação regular. Estava organizada do ponto de vista fiscal. Goianésia é uma cidade que sempre praticou muita responsabilidade fiscal. A gente não tinha problemas tradicionais como atraso de INSS, Cadastro Único de Convênio (CAUC) ou problemas de salários. A prefeitura estava bem organizada.
A.R. – Quais os maiores desafios da gestão?
Jalles Fontoura – Essa administração foi toda planejada em 2012 por meio de um programa discutido com segmentos organizados, nos palanques e em toda a campanha política que se chama “Goianésia pode mais”. Nesse palanque foram estruturadas todas as ações que eu venho desenvolvendo nesse mandato e o maior desafio é a saúde. Foi feito um planejamento para melhorar a saúde das pessoas por meio da faculdade de Medicina. Apareceram a universalização da cobertura da saúde básica, a instalação do Centro de Atenção Psicossocial (Caps), melhoria do hospital municipal, a internação de acadêmicos de medicina, o aumento no número de leitos do SUS, e outras condições. Esse foi o programa para a saúde que foi integralmente executado.
Em Goianésia estão sendo instaladas duas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) começa a funcionar dia 1º de dezembro. O Ambulatório Médico de Especialidades (AME) e o Centro de Referência e Excelência em Dependência Química (Credeq) serão abertos em 2016. A cidade, que antes era uma paroquia, agora é uma diocese, ou seja, a cidade assumiu uma característica regional, era uma cidade local em função de ser fora do eixo Goiânia-Brasília. Era uma cidade isolada. Hoje Goianésia é referência em economia, no emprego, na política e na área social.
A.R. – No começo do seu mandato o senhor era muito criticado em relação à qualidade do asfalto da cidade. O que foi feito para resolver o problema?
Jalles Fontoura – Fazer recapeamento é mais importante do que fazer asfalto novo, porque a cidade está toda asfaltada. Eu tenho até o final do mandato para completar o recapeamento da cidade, porque o asfalto ao contrário de outros tipos de pavimento, vence. Os equipamentos necessários já foram comprados. Essa é uma promessa do passado que eu estou resgatando.
A.R. – O senhor enfrenta uma oposição muito forte na câmara, isso tem atrapalhado o senhor?
Jalles Fontoura – Pelo contrário. Uma oposição forte é ótima para a administração, até porque ela melhora o processo legislativo e os projetos por meio da crítica e da cobrança. A oposição tem sido boa. Eu gosto da oposição que fala, que critica. Ruim é aquela que elogia o erro. A oposição na cidade tem sido leal, nenhum projeto foi rejeitado e sim melhorado. Temos uma situação da câmara bem ativa. Dos 15 vereadores, 9 são da base. A câmara foi mais solução do que problemas.
A.R. – Como o senhor avalia sua gestão até agora?
Jalles Fontoura – Goianésia recebeu nesse mandato um investimento de R$ 200 milhões de reais, nos níveis federal, estadual e municipal. É o maior investimento dos últimos 12 anos. A característica desse mandato foi um investimento massivo em todas as áreas. Estamos investindo 30 milhões em esgoto e água. Hoje, Goianésia tem um padrão suíço de estrutura conforme a própria Saneago informou. Nós universalizamos a água e agora estamos fazendo o mesmo com o esgoto. Nós temos um sistema de capitação de água pluvial para evitar enchentes que funciona muito bem. A cidade tem um bom padrão nessa parte de saneamento e isso se repete na educação. O nosso Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é um dos 10 melhores de Goiás. A cidade conta com 4 mil universitários. Na área de segurança estamos instalando 56 câmeras para fazer o controle de tráfego de segurança. A cidade vai terminar o ano de 2015 com uma economia bem maior do que ela começou, ao contrário do Brasil. Estamos em um momento interessante, o desemprego é muito baixo. A faculdade de Medicina tornou a cidade mais valiosa.
A.R. – Goianésia sempre foi uma cidade que atraiu muitas empresas. Recentemente uma montadora de veículos sondou instalar uma unidade na cidade. Como está essa negociação?
Jalles Fontoura – Ainda é uma fase embrionária, não tem nada certo. O momento é de muita dificuldade para a indústria automobilística.  Goianésia conseguiu atrair algumas grandes empresas como é o caso da Limagrain, que trouxe um investimento de R$ 60 milhões de reais. A Hering triplicou a capacidade de produção com o apoio da prefeitura, e hoje conta com 1.200 funcionários. Algumas empresas de nível nacional estão começando a se instalar em Goianésia, situação que nunca tinha acontecido. Eu espero que essa fábrica de automóveis possa dar certo. Apoio ela vai ter.
Promessas de campanha 
A.R. – Uma das promessas de campanha foi a faculdade de Medicina, que foi muito criticada. No início duvidaram da sua capacidade de manter o curso em Goianésia. Como foi o processo para essa conquista?
Jalles Fontoura – A Uni Evangélica com 2 mil alunos e uma ampla estrutura era a candidata natural para implementação do curso. Não aconteceu na Uni Evangélica em função de uma autorização para o curso de Medicina, que no caso dessa universidade deveria ser liberada pelo Conselho Federal de Educação. O conselho abriu essa possibilidade apenas para 2017, por isso o curso foi para a Universidade de Rio Verde (UniRv), que é pública e apresentou um bom nível. A autorização da UniRv é dada pelo Conselho Estadual de Educação, que poderia legalmente oferecer esse curso.
A.R. – Outra proposta de campanha que vem sendo cobrada pelos moradores da cidade é a entrega de duas mil casas populares para a população. O senhor consegue cumprir essa promessa até o fim da sua gestão?
Jalles Fontoura – Consigo. Mil casas já é página virada, inclusive essas residências têm apoio do programa Minha Casa Minha Vida da Hageab, com o programa Cheque Mais Moradia. Além desse, temos 200 casas do programa Lotes Isolados. Já temos uma área pronta com certificação ambiental atendendo todas as exigências do plano diretor da cidade e de acordo com a Caixa. Estamos esperando do Ministério das Cidades o lançamento da última fase do Minha Casa Minha Vida, que vai liberra mais 500 casas. Então eu já tenho asseguradas 1.700 casas e mais de mil cheques moradias. Vamos lutar para alcançar as 2 mil que é a minha promessa.
A.R. – Uma obra que tem gerado polêmica e que divide opiniões entre os moradores de Goianésia é a construção da Ciclovia, que está com as obras paralisadas. Quando as obras vão continuar?
Jalles Fontoura – Ela está incluída no pacote das obras que o governo estadual começou em 2014 e paralisou. Se até o início de 2016, o governo não reiniciar a obra da ciclovia, a prefeitura vai assumir e terminar. Esse é um programa que vai deixar a cidade melhor. A ciclovia é algo que veio para ficar, ela é um avanço que une saúde, qualidade e rapidez. Em uma cidade plana, como Goianésia, você pode ir de qualquer bairro ao centro em 10 minutos. A bicicleta é um dos grandes instrumentos para melhorar o trânsito, que está intenso na cidade.

(Foto: A Redação)
Avaliação do governo estadual 
A.R. – Como ex-secretário da fazenda, como o senhor avalia a atual secretaria da pasta, Ana Carla Abrão?
Jalles Fontoura – Ana Carla foi uma ótima escolha do governador. Ela está se dedicado integralmente à arrecadação em uma época de economia muito recessiva, com negociações difíceis. O ICMS tem tido um bom desempenho. Pela primeira vez em décadas estamos assistindo um crescimento real da arrecadação. Nós temos um quadro de dificuldade e a secretária tem feito muito nesse sentido de manter as contas em dia e os salários em dia, que é obrigação número um da secretária. O secretário da fazenda é como um técnico de futebol que é mantido na base das vitórias. O papel da secretária está sendo muito interessante, hoje ela é a estrela do governo.
A.R. – Como o senhor avalia esse quarto mandato do governador Marconi Perillo?
Jalles Fontoura – Até agora o governador está na situação de sustentar pratos. A capacidade de investimento em função da recessão brasileira é quase nula. O término das obras está muito difícil e isso naturalmente questiona a gestão do governador. Em outros momentos ele já passou por desafios maiores do que esses. A situação não permite grandes voos nesse momento. O governador está superando o primeiro ano que é o mais difícil. Para o futuro eu sou muito otimista com o estado e com a economia goiana.
A.R. – Alguns políticos já cogitaram o nome dele (Marconi) para presidência. O senhor acha que ele está capacitado?
Jalles Fontoura – Às vezes fico pensando se o governador estivesse no lugar da presidente Dilma, “como ele seria?” Sem medo eu diria que ele se sairia bem. A presidente tem muita dificuldade para a política e o governador tem talento para a área. Precisamos sonhar. A fé no futuro é algo que precisa fazer parte da nossa vida de modo geral e na política de modo particular. O governador tem cacife e dimensão, tem uma boa articulação do momento político nacional e pode sonhar em voos maiores.
Eleições 2016
A.R. – O senhor é candidato à reeleição para a prefeitura de Goianésia?
Jalles Fontoura – Eu não sou candidato à reeleição. Hoje nós temos bons nomes na base política e estamos fazendo uma boa composição. Acho que é hora de renovar. É importante colocar novas pessoas para assumir, mantendo os princípio de gestão e práticas que são feitas e observadas. Então, eu não sou candidato à reeleição.
A.R. – Quem seriam essas pessoas?
Jalles Fontoura – Temos vários. O meu vice-prefeito, Robson Tavares, é um candidato natural e vem fazendo um excelente trabalho como vice e secretário da saúde. Tem o secretário de desenvolvimento econômico e social, João Pedro, além de Henrique Pena que é um engenheiro de produção e tem excelente qualificação.
A.R. – Goianésia tem uma tradição em suas disputas políticas entre PMBD e PSDB, o senhor acredita que possa existir uma terceira opção para as próximas eleições?
Jalles Fontoura – O PMDB na verdade em 62 anos de Goianésia só venceu 3 eleições. A obrigação de vencer agora é nossa. Acho difícil terceira via. Em Goianésia o PT existe, mas nunca teve dimensão de eleger um prefeito, por exemplo. A participação do PMDB na história é periférica, desde a fundação da cidade e grandes obras e empreendimentos a posição do PMDB foi quase nula. Nós temos a obrigação, se queremos que a cidade continue crescendo em qualidade de vida, de nos reinventar e trabalhar muito.
Eleições 2018
A.R. – O nome do senhor frequentemente aparece como um nome forte para o governo de Goiás, o senhor já foi procurando?
Jalles Fontoura – Cada um deve fazer o seu papel, os caminhos e acontecimentos políticos vão se dando ao longo da caminhada. Uma campanha majoritária não é uma decisão pessoal, deve ser de um sistema. Hoje, com 20 anos de gestão, a gente precisa ter capacidade de reinventar e de propor um sonho para Estado. Isso é mais importante do que definir nomes. As possibilidades estão abertas e as coisas devem andar para ficarem mais claras. A partir de 2016 esse quadro começa a se desenhar de forma mais clara.

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