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DICAS DE SAÚDE COM: JULIANA LEMES, FARMACÊUTICA “PÍLULA DO DIA SEGUINTE – COMO TOMAR, EFICÁCIA E EFEITOS” | De Olho Goiás
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DICAS DE SAÚDE COM: JULIANA LEMES, FARMACÊUTICA “PÍLULA DO DIA SEGUINTE – COMO TOMAR, EFICÁCIA E EFEITOS”

  Os métodos contraceptivos clássicos, tais como as pílulas anticoncepcionais, DIU, diafragma e a camisinha, são habitualmente utilizados antes ou durante a relação sexual com o intuito de impedir a ocorrência de uma gravidez. Existem dezenas de métodos anticoncepcionais disponíveis no mercado. Porém, por motivos diversos, todos os dias, milhares de mulheres acabam tendo relações sexuais sem a devida proteção de um método de controle de natalidade, passando a estar sob elevado risco de desenvolver uma gravidez. Nestes casos, ainda há uma alternativa: a contracepção de emergência.

          A contracepção de emergência, mais conhecida sob a forma da pílula do dia seguinte, é um método contraceptivo que pode ser usado após a relação sexual, sendo capaz de inibir uma gravidez quando a mulher imagina ter tido relações sem as devidas precauções anticoncepcionais.

          É importante frisar que a contracepção de emergência é um método de controle de natalidade para ser usado ocasionalmente, em situações de emergência. De forma alguma a pílula do dia seguinte deve ser usada habitualmente, como substituta dos métodos tradicionais de controle de natalidade, pois ela é basicamente uma bomba hormonal.

 

Hoje iremos abordar alguns pontos sobre a pílula de emergência:

  • Limite de tempo para tomar a pílula do dia seguinte.
  • Quando usar a pílula do dia seguinte.
  • Como age a pílula do dia seguinte.
  • Eficácia da pílula do dia seguinte.
  • Como tomar a pílula do dia seguinte.
  • Efeitos colaterais da pílula do dia seguinte.

 

O QUE SÃO MÉTODOS CONTRACEPTIVOS DE EMERGÊNCIA?

           A contracepção de emergência, também chamada de contracepção pós-coito, é uma medida de controle de natalidade que pode ser usada depois da relação sexual ter sido realizada. A contracepção de emergência deve ser usada pelas mulheres que não desejam engravidar, mas tiveram relações sexuais sem a devida proteção de um método contraceptivo.

 

QUAL O LIMITE DE TEMPO PARA TOMAR A PÍLULA DO DIA SEGUINTE?

            Após uma relação sexual desprotegida, a pílula do dia seguinte deve ser tomada o mais rápido possível, de preferência dentro das primeiras 72 horas (3 dias). Porém, apesar do clássica recomendação de 72 horas, até o limite de 120 horas (5 dias) a contracepção de emergência ainda pode ser eficaz. É importante notar, entretanto, que a cada dia que passa, a eficácia contraceptiva do esquema se reduz, principalmente após as primeiras 72 horas.

 

QUAIS AS INDICAÇÕES PARA O USO DA PÍLULA DO DIA SEGUINTE?

          A pílula do dia seguinte não é um método anticoncepcional para uso frequente. Geralmente, indicamos o uso da PDS em duas situações:

  1. Se você teve relação sexual vaginal sem a proteção de nenhum método anticoncepcional (camisinha, DIU, pílula, implante, diafragma…) nas últimas 120 horas.
  2. Se você nas últimas 120 horas teve relações sexuais e usou um método anticoncepcional de forma incorreta ou se o mesmo sabidamente apresentou falhas. Isto inclui as seguintes situações:

– Camisinha que estourou, que foi usada de modo incorreto.
– Mulher que normalmente toma pílulas anticoncepcionais contendo estrogênio e progesterona e se esqueceu de tomar a pílula por dois dias seguidos.
– Mulher que normalmente toma pílulas anticoncepcionais contendo apenas progesterona (chamada de minipílula) e atrasou sua tomada em mais de três horas.
– Mulher que normalmente usa injeções de acetato de medroxiprogesterona (também chamado de Depo-Provera®) e atrasou sua injeção mais do que duas semanas.
– Mulher que normalmente usa adesivos anticoncepcionais e os retirou antes ou depois do tempo programado.
– Diafragma ou preservativo feminino que se rompeu ou saiu do lugar.
– DIU que saiu acidentalmente.

          Atenção: a pílula do dia seguinte é um método contraceptivo de emergência e assim deve ser encarada. Devemos ter todo o cuidado para não banalizar o uso da pílula do dia seguinte, não só porque ela não é tão efetiva quanto os métodos de controle de natalidade tradicionais, como também porque a dose de hormônios contida na mesma é mais elevada do que nos anticoncepcionais comuns, podendo causar efeitos colaterais graves se usada repetidamente.

          Nas últimas décadas temos reconhecido cada vez mais os efeitos colaterais do uso excessivo de hormônios femininos como forma de contracepção. Não é por acaso que atualmente a dose hormonal das pílulas anticoncepcionais tradicionais é muito mais baixa do que as das pílulas das décadas de 1970 e 1980.

          Se você repetidamente se encontra em uma das situações acima, que indicam o uso da pílula do dia seguinte, é porque está fazendo tudo errado. O uso excessivo de hormônios feminino é danoso para o organismo e deve ser evitado. Se você tem precisado tomar a PDS com frequência, procure seu ginecologista para receber orientações sobre controle de natalidade.

 

COMO FUNCIONA A PÍLULA DO DIA SEGUINTE?

          No Brasil a pílula do dia seguinte mais usada é composta por levonorgestrel 0,75 mg (marcas mais comuns: Postinor-2®, Pilem®, Pozato®, Diad®, Minipil2-Post® e Poslov®).

          O levonorgestrel é uma progesterona sintética, que atua como método contraceptivo de emergência por três mecanismos:
– Inibe a ovulação.
– Impede a fertilização do óvulo pelo espermatozoide.
– Impede que óvulo fecundado se aloje no útero.

          Dentre os três mecanismos acima, a inibição da ovulação é o mais importante, daí a necessidade de tomar a pílula o mais rápido possível.

          Basicamente o que a pílula do dia seguinte faz é alterar o ciclo menstrual, antecipando o momento da menstruação. A maioria das mulheres menstrua cerca de 1 semana após o uso da pílula.

 

TOMEI A PÍLULA DO DIA SEGUINTE E NÃO MENSTRUEI. O QUE FAZER?

          Como referido, a menstruação costuma vir dias depois do uso da pílula. A descida da menstruação confirma a eficácia do tratamento. É muito comum que a menstruação não venha exatamente igual ao habitual, pois o ciclo foi interrompido pela metade.

           Dependendo do momento do ciclo menstrual que a PDS tenha sido tomada, a menstruação pode demorar um pouco mais de 1 semana para descer.  Poucos dias de atraso não são motivo para pânico. Porém, se a menstruação não tiver vindo 3 a 4 semanas após o uso da pílula do dia seguinte, a paciente deve fazer um teste de gravidez, pois, nestes casos, é preciso começar a considerar a hipótese de falha da pílula.

 

A PÍLULA DO DIA SEGUINTE PROVOCA ABORTO?

          Não, a pílula do dia seguinte não é abortiva! O aborto é proibido por lei no Brasil. Se a pílula do dia seguinte fosse abortiva, ela não teria autorização para ser comercializada.

          Tecnicamente, uma medicação abortiva é aquela que age após o óvulo fecundado já ter sido implantado no útero. O aborto é a perda de um embrião que estava se desenvolvendo em um útero. Como foi explicado, a ação do levonorgestrel é anterior à implantação do óvulo fecundado ao útero, não sendo, portanto, uma droga que provoca aborto.

          Se o levonorgestrel for tomado após o óvulo já ter sido implantado ao útero, ele não terá efeito algum sobre a evolução da gravidez. Ele não provoca aborto e não há estudos que indiquem perigo de malformação fetal, caso o medicamento seja acidentalmente usado em mulheres já grávidas.

 

QUAL A EFICÁCIA DA PÍLULA DO DIA SEGUINTE?

          O levonorgestrel, se tomado corretamente e dentro do prazo de 72 horas, tem eficácia de 97%.

           Em mulheres obesas, com IMC (INDICE DE MASSA CORPORAL) maior que 30, damos preferência ao uso do DIU como método contraceptivo de emergência, pois neste grupo a pílula do dia seguinte possui eficácia bem menor, apresentando 4 vezes mais riscos de falhas quando comparado a mulheres de massa corporal normal (IMC entre 18 e 25).

           Se a menstruação não tiver vindo 3 a 4 semanas após o uso da pílula do dia seguinte, a paciente deve fazer um teste de gravidez.

            É importante salientar que o efeito da pílula é garantido apenas para aquela relação sexual que motivou o seu uso. Se a mulher voltar a ter relações desprotegidas após ter tomado a pílula, não há como garantir seu efeito anticoncepcional.

 

COMO TOMAR A PILULA DO DIA SEGUINTE?

            O levonorgestrel é habitualmente vendido em uma caixa com 2 comprimidos de 0,75 mg, que podem ser tomados juntos de uma só vez ou separados por 12 horas de intervalo. Já há no mercado a caixa com 1 comprimido de 1,5 mg, o que facilita a toma única do medicamento.

           Se você tomou a pílula do dia seguinte e teve nova relação sexual desprotegida após 120 horas, é possível tomar uma segunda dose. É preciso notar, porém, que este tipo de contracepção de emergência é feito com doses não fisiológicas de hormônios, que não devem ser administradas seguidamente, devido ao risco de efeitos colaterais.

           Se você se encontra na situação de precisar da pílula do dia seguinte com alguma frequência, é porque está sendo muito irresponsável. Acidentes pontuais, como a camisinha estourar, podem acontecer com todo mundo, e justificam o uso da PDS. Agora, nada justifica a mulher frequentemente precisar fazer uso da pílula do dia seguinte..

           Nas mulheres que já usam anticoncepcional regularmente, mas precisaram da pílula do dia seguinte por terem esquecido de tomá-lo corretamente, a pílula convencional pode ser reiniciada no dia seguinte. Ter tomado a PDS não impede que a mulher volte a tomar o resto da cartela da sua pílula habitual. Mas atenção, é preciso esperar a próxima menstruação para poder confiar novamente no efeito contraceptivo dela. Até lá, deve-se usar camisinha ou qualquer outro método de barreira junto com o anticoncepcional.

 

QUAIS OS EFEITOS COLATERAIS DA PÍLULA DO DIA SEGUINTE?

           A pílula do dia seguinte é um medicamento extremamente seguro, se tomada de forma correta. Não há relatos de efeitos colaterais graves.

           Náuseas e vômitos são os efeitos adversos mais comuns. Uma desregulação da menstruação é comum no primeiro mês após o tratamento.

           Outros efeitos secundários possíveis, mas pouco frequentes, incluem tonturas, fadiga, dor de cabeça, sensibilidade nos seios, e dor abdominal.

           Se houver quadro de vômitos nas primeiras duas horas após a pílula ter sido tomada, sugerimos a repetição do esquema. 

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